.: Lua, de Luana

Uma mulher que gosta de viajar e conhecer lugares/pessoas.
"Lua vai dizer" foi inspirada na música de Katinguelê, a "Lua vai iluminar os pensamentos dela". Sendo assim, pretendo iluminar os caminhos de vocês. Boa viagem! :)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Chapada dos Veadeiros - Goiás

QUANDO FUI: de 12 a 15/Outubro/17, no feriado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Estava com receio de viajar nesta época pois dizem que já tem chuva e visitar a chapada com chuva não é tao legal. Dei sorte por pegar um clima quente, seco e de muito sol, mas essa sorte, infelizmente, não foi tão feliz, porque o clima estava seco há tanto tempo que vi muitas queimadas por lá. Inclusive nos dias do feriadão o Parque Nacional estava fechado por conta disso. Muito fogo, muita fumaça, muita vegetação queimada pela estrada e perto da cidade. Uma pena...

COMO FUI: de avião Recife-Brasília. Sim, a chapada fica em Goiás, porém se você olhar no mapa é bem contramão de Goiânia (sem contar na passagem aérea que é bem mais cara). Dei sorte de conseguir o trecho de ida por milhas pela Latam e a volta por Smiles & Money pela Gol mesmo em cima da hora do feriadão. Em Brasília alugamos um carro pela Movida e seguimos viagem. Vale a pena o custo-benefício principalmente se você for em grupo, pois muitos dos passeios da chapada são acessíveis de carro e a estrada (BR-020 e depois GO-118) para lá é muito boa. Eu quase viajava sozinha e com certeza o gasto seria o dobro se fosse fazer os passeios por agências.

ONDE FIQUEI: de início tinha dúvida de onde ia me hospedar, mas com o tempo curto não tinha muito poder de escolha. Minha amiga Irma viu um hostel em Alto Paraíso com preço bom para feriadão (acredite, tinha pousada cobrando 6 mil reais por 3 diárias, 2 pessoas. Por um instante pensamos se era uma viagem pra Cancun, hahaha) e não tivemos dúvida, reservamos logo. Na verdade existem três cidades como opção de hospedagem: São Jorge, Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante - esta última mais afastada, fica a 90km de Alto Paraíso. Cada uma delas tem seus atrativos, aconchegos e trilhas, mas Alto é mais badalada, mais estruturada com várias pousadas, lojas e restaurantes e mais central. 

PRIMEIRO DIA
Vale da Lua
Chegamos de viagem por volta das 10h, deixamos as coisas no hostel e fomos para o Vale da Lua. Sim, meu vale, hahaha. O vale consiste em formações rochosas que lembram a superfície da lua. Entre essas pedras e formações, várias piscinas de água gelada se formam, tornando o lugar bem agradável para se visitar. A entrada fica na BR entre Alto Paraíso e São Jorge, facinho de chegar (é só ficar de olho na placa) e mais uns 10 minutos de estrada de terra. A entrada custa R$20 e a trilha é leve, suave na nave.
Almécegas II
Cachoeira São Bento
Do Vale da Lua fomos almoçar na vila de São Jorge: pequenina, ruas sem asfalto, pé na areia e vida simples. De lá seguimos (ou melhor, pegamos a estrada de volta para Alto Paraíso) para a fazenda São Bento, que compõe três cachoeiras: Almécegas I, II e São Bento, com entrada de R$30 para conhecer as três (R$20 pelas Almécegas e R$10 pela São Bento). Conhecemos a Almécegas (quem quiser que crie seus apelidos para Almas Cegas, Almôndegas, whatever) II que tem trilha tranquila e é um bom lugar para tomar banho e relaxar. Sim, é possível, mesmo com a água congelante. Por ser feriado parecia o piscinão de Ramos, mas deu pra se divertir um pouco. Na cachoeira São Bento nem tava mais afim de tomar banho, já era fim de tarde, corpo aquecido e cansaço chegando, mas também era um lugar agradável para passar um tempo. Depois de tanto banho, partiu hostel e depois jantar na vila de Alto.



SEGUNDO DIA
Era o dia de conhecer ela, a famosa, a deslumbrante, a desejada, a requisitada, a capa de revista... A cachoeira Santa Bárbara! Por que essa propaganda toda? Porque ela é tudo isso que prometem e quando você chega lá... Bum, ela cumpre! Por ser feriadão nossa rotina foi bem mais punk que as outras cachoeiras. Segue o fluxo: saímos de Alto Paraíso às 06h da manhã pois segundo o guia Tôta (gente boa, super indico, telefone (62) 99673-0765 - guia apenas em Cavalcante) lá na Santa Bárbara ia ter muitos turistas e por conta disso talvez esperássemos muito tempo para fazer a trilha. Não sabia, mas a trilha para a cachoeira comporta, por decisão ambiental, apenas 300 pessoas por dia, principalmente em dias de grande visitação. Chegamos ao ponto de apoio com o guia (é obrigatório entrar com o guia na trilha e custa em torno de R$120 por grupo) e compramos os últimos ingressos (R$20 cada)... Eram 8h30 e as 300 entradas já tinham sido compradas, digaí! Seguimos para o portão de entrada que tem controle justamente do entra e sai de pessoas, pois (também não sabia) só é permitido ficar 1h na cachoeira. Esperamos quase 3 horas para seguir na trilha da cachoeira e, enquanto isso, vimos várias pessoas chegarem no portão querendo passar,
Capivara vista de baixo
Barbarinha
querendo subornar o carinho que controlava o fluxo com a desculpa do tipo "Ah, mas é feriado, libera aí!", "Ah, pra quê isso? Se eu tivesse com uma caminhonete eu derrubava essa corda e passava". Tem gente que não nasceu pra ser um turista decente MUITO MENOS pra explorar o ecoturismo. É cada arrogância, prepotência, falta de educação que a gente vê por aí que sei não =/ Enfim, a espera, o calor, o clima seco e os 4 km de trilha (ida e volta) compensaram. Antes de chegar na Santa Barbara tem a Santa Barbarinha, lindinha, meio que um trailer, uma amostra grátis da grande beleza que nos esperava.
Em cima da Capivara
Água verde, transparente, paredões de montanha, cachoeira, energia boa... Indescritível, pela foto vocês imaginam a sensação maravilhosa de estar ali. Muita gratidão e amor por um lugar!
Após a Santa Bárbara conhecemos a cachoeira da Capivara, que fica bem pertinho do ponto de apoio (uns 5 minutos de carro e uns 15 min de trilha andando e descendo pedras, trilha um pouco mais cansativa). O visual também arrasa! Por estar em clima seco a água da cachoeira vai se desenhando entre as pedras, muito linda. Água gelada, muita gente, mais uma paisagem inesquecível. Para quem estiver cansado e não quiser descer até a base da cachoeira, no topo dela tem várias piscinas naturais e uma vista linda da chapada, já vale a caminhada.

Na volta de Cavalcante avistamos muitos focos de incêndio, coisa que até então só tinha ouvido falar no rádio. Tinha cinza e grama queimada inclusive perto da estrada. À noite, perto da cidade, vimos muito fogo na mata, pareciam várias fogueiras de São João juntas. Sentia pena pela natureza, pelos bichos e plantas; medo pelo fogo estar tão perto da cidade; e aquela sensação de "o que posso fazer para ajudar?". Hoje (25/10/17) estão veiculando que boa parte das queimadas são propositais, causadas pelo homem. "Por que será que toda a beleza do mundo que enfeita os nossos olhos, morre em nossas mãos?" 

TERCEIRO DIA

Cristais
A primeira piscina da cachoeira dos Cristais. Já ficaria aí :)
Pernas pra que te quero... Dia de pegar trilhas mais leves porque a Santa Bárbara, a Capivara e mais 200 km dirigindo acaba com uma. Como havia dito, hospedar-se em Alto Paraíso amplia a lista de lugares para conhecer porque a gente fica meio que no centro de tudo. Seguindo sentido Cavalcante e a 7 km de carro estava a cachoeira dos Cristais e a uns 4 km do centro de Alto (e um pouco de estrada de terra) fica a Loquinhas, um conjunto de poços e cachoeiras.
A cachoeira dos Cristais, assim como vários desses lugares que conheci, são propriedades particulares. Dessa forma, o valor do ingresso ajuda a manter a organização do lugar, a limpeza e a preservação ambiental. A melhor de fazer a trilha dos Cristais é descer até a última cachoeira (a maior, a mais linda e a de água mais gelada) e seguir a trilha subindo e parando nos pontos de queda d'água. É um lugar legal pra quem tem mais tempo na chapada pois dá pra passar o dia lá em família. O lugar tem muita estrutura, restaurante, banheiro, redário... Uma calmaria só.
Um dos poços da Loquinhas
Trilha da Loquinhas
No início da tarde fomos para Loquinhas (e a gente pensava que era Louquinhas, hahaha). A entrada custou R$25 e existem dois roteiros de trilha, todas duas suspensas e com degraus de madeira: Loquinhas e Violeta. Na entrada já nos informaram que muitos dos poços estavam secos por conta da falta de chuva, então essa trilha estava mais interessante que a Violeta. Não deixem de tomar banho, conhecer, tirar foto no poço Xamã, pra mim o mais gostoso de todos. Na trilha Violeta o poço do Saci mesmo com água não estava convidativo para um banho e a do Paraguassu muito menos (meio lodosa e suja). De trilha fácil, Loquinhas é um lugar também muito tranquilo e legal para passar o dia com amigos e família. Águas esverdeadas e azuladas te esperam!
À noite fomos jantar na Vendinha 1961, uns dos restaurantes point, top de Alto. Música boa, comida gostosa, preço e atendimento bons, chegue cedo se quiser desfrutar do lugar.

QUARTO DIA
Dia de voltar, que pena... Meu voo era a tarde e como era o último dia de feriadão não quis passear muito. Seguimos viagem logo cedo, almoçamos na casa de amigas em Brasília e parti pra Recife. Fim de uma viagem maravilhosa e divertida, cheia de boa energia! Sabe aquela sensação de "tudo isso estava planejado por algo superior?" Pronto! Entre vou não vou, é pra ir ou não, tudo foi se encaixando, se resolvendo, fluindo e deu nisso. Amizades criadas, belezas visitadas, lugares marcantes. Acredito sempre que nada acontece por acaso e que o destino sempre vai nos surpreendendo de acordo com nosso merecimento e fé.

2 comentários:

  1. O descritivo da viagem está show!!!👏👏👏👏👏👏...bem real!
    E realmente conhecer a Chapada dos Veadeiros e principalmente a Cachoeira de Santa Bárbara era meu sonho. Morando 6 anos em Brasília, tinha pouco tempo pra ir conhecer. Então sua vinda foi providencial pra eu ir embora de Brasília com a sensação de ter cumprido metas estabelecidas qdo aqui cheguei. Amei o lugar é pretendo retornar.

    ResponderExcluir
  2. Que bom, realmente foi uma viagem maravilhosa e o lugar é incrível! Vamos combinar já a próxima viagem! :D

    ResponderExcluir